Vampiras

vamps

(Vamps, Dir. Amy Heckeling – 2012)

Aí esses dias chegou a notícia: foi lançada em DVD no Brasil a reunion da Amy Heckeling com Alicia Silverstone. E era um filme de vampiros. E tinha a Krysten Ritter. E a Sigourney Weaver. E o Cousin Matthew. Tipo que fiquei mais excitado do que quando soube que o mercado do bairro tinha voltado a vender Chocolícia. Mas, tal qual aquela vez do mercado, quando descobri que o biscoito tinha subido pra R$ 3,05, também me decepcionei. Porque, nossa, que merda é esse Vampiras.

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A Heckeling é uma tia que pode ser velha, mas que mais ou menos sabe como se comunicar com um público mais jovem. Porra, a mulher fez Clueless. Entretanto, em Vampiras, a sensação é de que ela tenta demais provar que ainda sabe falar sobre modernidades, iPhones e coisas assim.  No fim, ela fica parecendo uma Diablo Cody achando que é muito jovem e atual mencionar Cradle of Filth, The Cure e Ozzy Osbourne na mesma frase.

jovens agora curtem outro estilo

jovens agora curtem outro estilo

Por um lado, as referências dos anos 80 fazem sentido. Afinal, a Krysten Ritter teria 40 anos, então viveu sua juventude lá na época que a Xuxa mandava meninos pegarem em seus peitinhos. Por outro, Heckeling usa uma linguagem muito específica, cheia das siglas de SMS para tentar se conectar com os punheteiros de hoje e acaba se contradizendo.

A ideia de Vampiras era ser uma comédia leve, exagerada e divertida, mas acaba sendo apenas babaca. O roteiro da própria Heckeling se preocupa o tempo inteiro em ~~~~fazer uma crítica ao tempo gasto pelas pessoas com seus aparelhos celulares, computadores etc. Agora me diz: qual o interesse a pessoa que vai ver um filme sobre vampiras tem nesse assunto? Filmes de vampiro estão aí pra gente ver sangue, dentes toscos crescendo e otários brilhando. Reflexões sobre as novas tecnologias eu deixo pro crocante Pierre Levy.

Pierre

Mas o que frustra mais é que tem hora que o filme é bom. Por exemplo, a sequência na qual a Alicia Silverstone conta a história de um prédio de Nova York através do século XX é bonita. Algumas piadas relacionadas ao modo de vida dos vampiros chegam a ser engraçadas (ou pelo menos não irritam, como a parada da “perseguição”) e ainda tem uma referência ao Green Day ali no início.

corrretíssima Alicia Silverstone

corretíssima Alicia Silverstone

Só que nada disso salva um filme cujos efeitos visuais são mais toscos que explosão/raio em novela das sete e que usa piadas velhas e sem graças como a do “meia hora depois de comer comida chinesa você tá com fome de novo”. Além disso, tem que ter muito culhão pra filmar uma cena como a do Justin Kirk salvando a tia com câncer. Por um lado, dou os parabéns à Heckeling pela coragem. Por outro, af, tia.

sim, tem isso no filme

sim, também tem isso no filme

Então eu gostaria de propor o següinte: vamos todos fingir que este Vampiras nunca existiu. A gente pega todos os atores (até o Malcolm McDowell, que ultimamente dá a impressão de só estar descontando cheques mesmo) e junta todo mundo pra dar à Amy Heckeling uma nova chance de filmar a Clueless reunion. Pode ser?

as if

as if

NOTA FELIPE ROCHA: 3.0

Média Claire Danes do Shitchat: precisando de um abraço depois dessa decepção

2 respostas em “Vampiras

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