Killer Joe – Matador de Aluguel

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Now suck this.
(Killer Joe, 2011. Dir William Friedkin)

William Friedkin, pros desavisados, é responsável por um dos filmes que mais me mataram de rir, enquanto a maior parte da população mundial tem arrepios só de ouvir a música tema:

cara, ela vomita, desce a escada que nem uma aranha, dou risada sempre.

cara, ela vomita, desce a escada que nem uma aranha, dou risada sempre.

Mas, depois de filmes bacanas nos anos 80, nos anos 90, sua carreira deu uma virada desastrosa, chegando ao cúmulo de fazer uma refilmagem de 12 Angry Men – seriously?. E quando as inimigas achavam que Friedkin estava com a carreira morta e enterrada, eis que o diretor volta a chamar a atenção em Bug, e em Killer Joe – filme de 2011, que depois de trocentos atrasos, finalmente estreou aqui -, é confirmado que o diretor ainda é capaz de fazer bons filmes, sim (inclusive, se eu fosse ele, ficava quietinho no meu canto depois de fazer essa maravilha, vai que).

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Falando em decadência, esse é o ambiente explorado em Killer Joe. Ambientado no Texas, um dos estados mais ricos dos EUA, porém, com um dos maiores índices de desigualdade, Friedkin apresenta uma análise pessimista da população texana ao retratar a história da família Smith – que poderia ser a família Silva caso o filme se passasse no Brasil. Chris, o filho, é traficante de drogas e mora com a mãe, que é agredida por ele. Mas ela acaba roubando a fonte de renda do filho, deixando ele sem ter meios de pagar uma dívida. E, por mais que haja uma simpatia inicial pelo personagem, ela é destruída quando Chris explica ao pai que a solução para o problema de todos seria matar a mãe e ficar com o seguro de vida nominal à irmã mais nova, Dottie.

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Friedkin deixa claro que não há inocentes na história, nem mesmo Dottie. A garota, por mais que tenha atitudes inocentes, concorda com o plano do irmão. E é aí que entra em cena Joe, o Killer do título. Joe Cooper é um policial, mas nas horas livres faz uns frila de assassino. E os Smith podem não ter dinheiro para pagá-lo adiantado como ele costuma fazer, mas Joe é esperto e pede uma “caução”: ficar com Dottie até o trabalho acabar e ele receber.

A história se desenvolve numa mistura efetiva de comédia de erros – o resgate do seguro – , humor negro – duas palavras: coxa de galinha -, e violência. Uma espécie de conto de fadas do white trash, onde a princesa tem algumas limitações mentais, o príncipe na verdade é um matador de aluguel, o castelo é um trailer, e, moral da história, os personagens sofrem as consequências da decisão de decidir matar alguém como forma de escapar da situação em que vivem.

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A trama não é leve, e um elenco errado poderia pôr tudo a perder, mas Friedkin fez as escolhas certas, inclusive a que parece ser a mais errada de todas, Matthew McConaughey como Joe. Com uma atuação beirando ao caricato e o ameaçador, o ator é outro que dá a volta por cima mostrando que sabe atuar quando quer. Juno Temple também merece destaque pela atuação no clímax. A fotografia reflete com coerência o mundo cão em que os personagens vivem. E Friedkin merece um joinha do Shitchat por coordenar tudo sem deslizes e entregar um filme que prende do início ao fim.

NOTA MARCELLE MACHADO: 10

Dierli (af) Santos: 9,5
Felipe (Horro)Rocha: 9,0
Leandro Ferreira: 10
Ralzinho Carvalho: 10
Tiago Lipka: 10
Rafael Moreira: 9,0

MÉDIA CLAIRE DANES: 9,7, Claire diboua comendo KFC claire_burca

7 respostas em “Killer Joe – Matador de Aluguel

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