A Garota

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(The Girl – Dir. Julian Jarrold)

A Garota, projeto da HBO, ainda está fazendo polêmica por ser considerado completamente parcial: apesar de afirmar que o roteiro foi baseado numa série de entrevistas com pessoas próximas a Alfred Hitchcock, boa parte delas tem negado tudo que o filme mostra. De qualquer forma, é sempre bom lembrar que se trata de uma obra de ficção. O filme, claramente, fica do lado de Tippi Hedren, mostrando o diretor bonachão como um verdadeiro monstro. Mesmo assim, o roteiro de Gwyneth Hughes faz um bom trabalho em pegar histórias conhecidas de Hitchcock e moldar a ele uma personalidade que, se não o representa com veracidade, ao menos soa extremamente verossímil. E esse é o grande acerto desse filme. Afinal, Hitchcock era conhecido pelo senso de humor – mas e se frases como a colocada em aspas no início do filme fossem mais que piadas? Fossem algo mais… patológico?thegirl4

A Garota começa com a seleção de Hedren pela esposa de Hitchcock logo depois de vê-la em um comercial na TV para estrelar Os Pássaros. Pouco conhecida e inexperiente, ela começa a ser “seduzida” pelos encantos do diretor para logo depois se assustar com a obsessão que ele tem sobre ela, desde tentar controlar seu peso e vida sexual, até chegar nos assédios. Com a sua constante recusa, o relacionamento entre os dois se torna cada vez mais sombrio. E mesmo assim, Tippi parece não ceder em nenhum momento, inclusive concordando em trabalhar mais uma vez com o diretor em Marnie – Confissões de uma Ladra.

Interpretando mais uma vez uma musa de um grande artista (a primeira foi em Uma Garota Irresistível, onde fez a musa de Andy Warhol), Sienna Miller interpreta Tippi Hedren com perfeição, e é especialmente eficiente ao retratar o arco dramático da personagem, de sorridente e deslumbrada, a assustada e fria. Toby Jones não é nem um pouco parecido com Hitchcock, mas é um ótimo ator, e realiza um milagre quase comparável a Phillip Seymour Hoffman em Capote: ele se torna o personagem com o tom de voz e os trejeitos – e os momentos em que vemos o diretor dirigindo ou preparando sua atriz são, de longe, os grandes destaques do filme. Imelda Staunton aparece pouco, mas retrata bem a frieza de Alma Hitchcock.

Julian Jarrold faz um belo trabalho na condução do elenco, e tem um olho apurado para a composição dos enquadramentos, mas não consegue fazer a longa passagem de tempo que a história exige seja sentida pelo público. Fora esse problema, as referências a outros filmes de Hitchcock soam bobas e meros adornos distrativos.

Sim, o Blog fala difícil.

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Entretanto, A Garota funciona bem no que realmente interessa, e apesar do roteiro ser tão acusado de demonizar Hitchcock, há também espaço para facetas mais “agradáveis” do diretor – mais no sentido de como o peso interferia na sua vida, e especialmente como o seu casamento o tornava miserável. E quando a “tortura” da cena com os pássaros se prolonga, o Jarrold acerta em cheio ao centrar em cena ao redor especialmente do olhar de Toby Jones – remorso? Prazer?

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Mesmo escapando de ser um grande filme por erros bobos, A Garota é um filme interessante, e que pode até mostrar erroneamente a personalidade de Alfred Hitchcock, mas ao contrário do recente Hitchcock, ao menos mostra uma personalidade. Perto do trabalho que Toby Jones e Imelda Staunton realizam aqui, Anthony Hopkins e Helen Mirren estão mais para Rob Schneider e Megan Fox.

NOTA TIAGO LIPKA: 8,5

Felipe Rocha: 5,0
Wallysson Soares: 7,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 6,8

claire danes 5 a 7

5 respostas em “A Garota

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