Laranja Mecânica

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(A Clockwork Orange – Dir. Stanley Kubrick – 1971)

Nesse momento estou aqui no meu quartinho chorando muito enquanto escrevo esse texto. Vou explicar a vocês o porquê: quando a cúpula do shitchat resolveu fazer essa #maratona #marota da filmografia do Kubrick, meu coraçãozinho bateu mais forte, porque enquanto as bichas do shitchat se rasgavam por 2001, Glória Feita de Sangue, Spartacus e blábláblá, eu logo gritei LARANJA MECÂNICA que nem o Steve Holt chama o próprio nome.

E o porquê disso? Porque Laranja Mecânica é apenas um dos meus filmes favoritos de tipo TODOS OS TEMPOS e sem dúvidas foi um dos divisores de águas na minha vida de cinéfilo. Se hoje eu sou fã ávido de cinema, é porque há uns bons anos mudei de vida ao assistir essa obra-prima. E eu estou escrevendo isso na certeza que você não é pau no cu o bastante para AINDA NÃO TER VISTO ISSO. Sério, eu até quero que nesse momento, vocêzinho que ainda não viu esse filme, feche o blog e vá comprar o DVD dessa porra A-G-O-R-A.

Pois bem, quanto a essa maravilha de filme, Kubrick imprime uma das maiores críticas à nossa sociedade. Violento, ácido, cru, de certa forma indigesto em alguns momentos, Laranja Mecânica não é um filme que glamouriza a violência como muita gente alega (devem ser as mesmas pessoas que acham que A Hora Mais Escura defende a tortura e blábláblá meu cu), mas Kubrickzão enfia o dedo no olho da nossa sociedade hipócrita. Para isso, ele nos expõe a história de Alex (interpretado por um soberbo Malcolm McDowell), um líder de uma gangue de delinqüentes juvenis que se divertem na base de ultraviolência, seja espancando mendigos, estuprando mulheres, saindo na porrada, curtindo o próprio status no facebook ou dando RT no Omelete. Quando em uma de suas desventuras Alex acaba assassinando uma vítima e é traído pelos membros da sua gangue, é preso, e na instituição em que é colocado, serve de cobaia para um experimento patrocinado pelo governo em que eles alegam que o indivíduo tem seus impulsos violentos controlados.

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E é aí a maior crítica do Kubrick, que nos faz questionar quem seria mais violento. Em um passo inicial, o gênio nos mostra todo o circo de horrores da ultraviolência e nos deixa enojado pelas atitudes de Alex e sua gangue – uma violência individual e intrínseca a esses seres humanos – para depois nos mostrar um estado tão violento quanto, mas que de certa forma é uma violência dita “justificável”, com a desculpa que seria para um bem maior. Logo, fica a pergunta: um Estado violento não seria tão perigoso quanto um indivíduo violento? E se essa violência for amparada por lei e institucionalizada? Alex e a sociedade mostrada não parecem diferir tanto assim.

Quanto à técnica, o filme é impecável em todos os sentidos. A trilha sonora é um misto de música eletrônica, pontuada em alguns momentos pela 9ª sinfonia de Beethoven (que o próprio Alex é fã) e em uma das cenas mais antológicas do filme, Alex interpreta Singin’ in the Rain – e ouso dizer que essa música é mais conhecida por essa cena em questão do que pelo próprio filme que leva o nome. A direção de arte, figurino e fotografia nos remetem à uma Inglaterra futurista ao mesmo tempo em que alguns aspectos do próprio período em que o filme foi filmado são uma boa sacada. Temos aqui um filme atemporal.

E eis que com isso, Kubrick dirigiu o que pra mim é sua obra prima máxima. Sei que muitos discordam por motivos de certos 2001 – Uma Odisséia no Espaço, mas pra mim não existe filme mais representativo em sua filmografia. E junto com Matilda, o documentário da Gretchen e o sextape da Marcela, esse é um dos filmes obrigatórios pra vocês que respiram o O2 que as plantinhas se fodem pra liberarem, suas quengas.

NOTA RALZINHO CARVALHO: 10

Alexandre Alves: 10
Felipe Rocha: 10
Leandro Ferreira: 9,5
Marcelle Machado: 10
Tiago Lipka: 10
Wallysson Soares: 10

Média Claire Danes do Shitchat: 9,9

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3 respostas em “Laranja Mecânica

  1. eu tinha uns oito anos quando mudei no cine belas artes logo na cena do in-out in-out na casa do velho escritor. kubrick é tão foda que não fez adaptação nenhuma. o roteiro era o próprio livro. prefiro o jeito que a história acaba no filme, pq no livro achei meio ridículo que nem essa nota do chá

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