Medo e Desejo

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“If you have to hate me, please try to like me also. “

(Fear and Desire – Dir. Stanley Kubrick – 1953)

“Medo e Desejo” é o primeiro longa de Stanley Kubrick, mas deveria ter sido seu terceiro curta-metragem. Com 60 minutos de duração, teria sido uma obra bem mais eficiente se cortada pela metade. Não que o filme de Kubrick seja ruim – longe disso – mas carece uma definição narrativa e de uma linguagem mais apurada. Marcas de um cineasta amador. É válido apontar porém, que mais do que um cineasta amador, Kubrick era um ambicioso. Qualidade impressa em todos os planos bem realizados e diálogos provocativos dessa pequena jóia de 1953 que, longe de ser um clássico, não deixa de ser um dos primeiros passos de um gênio. Então, um beijo pro blog que me desafiou a escrever sobre o primeirão do Kubrick enquanto o resto da equipe ficou os melhores (Claire Danes detesta todos vocês).

A narração em off (desnecessária) que abre o filme já alerta que a história a seguir não terá conexões com o crível e com o real, indicando que provavelmente nada mais é do que uma espécie de alegoria. E isso se torna cada vez mais claro conforme vamos conhecendo os quatro personagens principais – soldados presos em território inimigo. Com personalidades bem delineadas, os personagens instigam e carregam nuances expostas pelos excelentes diálogos e pelas boas atuações. Estamos falando de personas de Kubrick aqui e, por mais amador, já carregava consigo sua marca: uma queda pelo subversivo e pelo desequilíbrio psicológico #todosama.

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É aí que “Medo e Desejo” se torna um filme de personagens e não de trama. Pouco nos importamos com as engrenagens da fuga dos soldados e se conseguirão ou não cumprir o plano. O que nos instiga mesmo são as ações e reações dessas personalidades aflitas e tão antagônicas. E nada mais delicioso que testemunhar a evolução desses personagens a ponto de se transformarem devido aos fatores que os cercam. Com o pesar de não estragar nada para quem for assistir, ressalta-se apenas que o mérito de Kubrick é delinear essas transformações sem soar forçado ou corriqueiro. E a importância que imprime aos diálogos e às atuações reforçam a magnitude dos personagens e nos deixa com a impressão mais do que válida de estar diante de criaturas de carne e osso.

Apesar de todas as virtudes, não tem como negar que “Medo e Desejo” seria melhor com metade da duração ou mesmo como uma peça teatral. Ainda assim, é a chance de testemunhar os primeiros planos inspirados de Kubrick e, mais importante, seu olhar incisivo para a natureza anônima da humanidade em toda sua solidão e perdição. Certo personagem questiona, a caminho da morte: “Passamos nossas vidas procurando nossos nomes verdadeiros em listas de diretório, nossos endereços permanentes. Nenhum homem é uma ilha?”. “Medo e Desejo” é sobre essa nossa falta de identidade e também sobre nossa morte iminente. “Primeiro somos um pássaro e depois somos uma ilha. Antes eu era um general, agora eu sou peixe.” A insanidade contagiante desses personagens e suas declarações nada ortodoxas fazem de “Medo e Desejo” uma estreia importante. Kubrick… esse cara vale a pena.

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NOTA WALLYSSON SOARES: 7,0

Alexandre Alves: 7,0
Felipe Rocha: 6,5
Marcelle Machado: 7,0
Tiago Lipka: 5,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 6,5 claire danes 5 a 7

8 respostas em “Medo e Desejo

  1. agora q observei os recalqs de walita reclamando de ter ficado com o primeiro filme do kubrick. estou entendendo q esquecer o pen drive em casa é parte de um plano malígno para roubar os filmes dos outros, vc foi desmascarado, Uálle BOOOOOOOOMMMMM

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