Meu Namorado É Um Zumbi

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Rrrrrrrrr
Meu Namorado É Um Zumbi (Warm Bodies – Dir. Jonathan Levine)

É crescente o número de pessoas que dizem gostar de zumbis apenas pra se enturmar, mas a verdade é que gosto muito de filmes de zsumbis. De Madrugada dos Mortos à Zumbilândia, parando no meio pra ver uns episódios de The Walking Dead, e se até Walking Dead ainda aturo, por que não dar uma chance à Meu Namorado É Um Zumbi, né? Achei o trailer interessante, grande parte por terem colocado Black Keys na trilha, mas o desconfiômetro estava apontando por motivos de: que título orrorozo, e ZUMBI APAIXONADO???

*pausa para respirar*

*pausa para beber água*

Não tenho nada contra desvirtuar clássicos. Me diverti lendo Orgulho e Preconceito e Zumbis, Lincoln caçando vampiros… Mas em nenhum momento Meu Namorado É Um Zumbi convence ou diverte.

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Meu Namorado É Um Zumbi mostra um mundo pós-apocalíptico sob o ponto de vista de R, um zumbi que, de alguma forma, mantém um fiapo de consciência (a primeira concessão que tive que fazer foi aceitar zumbi que pensa). Ele passa seus dias no aeroporto – uma metáfora interessante de como os zumbis estão estagnados, sem chegar ao seu destino, porém desperdiçada no meio desse filme ridículo -, tem um melhor amigo com quem quase conversa, e com quem sai em busca de cérebros quando sente fome. É numa dessas buscas por alimento que o caminho de R cruza com o de Julie e o seu namorado. Para azar do namorado, R devora seu cérebro, e é assim que ele cria um elo com Julie, e em vez de devorar seu cérebro, ele salva a garota (segunda concessão que fiz: aceitar um zumbi que não quer comer o cérebro de alguém).

essa pizza tá demorando, af

essa pizza tá demorando, af

Não reclamaria de todas essas concessões feitas, não fosse por o roteiro ser extremamente forçado e cheio de furos. Nem acho tão irreal uma mulher se apaixonar por um zumbi (inclusive estou quase apelando pra necrofilia também), ainda mais comparando o que vem depois. Julie fica sob a proteção de R contra a sua vontade, e ao invés de usar um dos carros do estacionamento do aeroporto para fugir, ela curte um som maneiro com o zumbi… e logo depois os dois estão utilizando o tal carro para fugir quando a situação fica perigosa de verdade. Fica difícil acreditar que Julie não escaparia antes.

necrofilia, caras!!

necrofilia, caras!!

Como em todo o filme de zumbi com o mínimo de vergonha na cara, Meu Namorado É Um Zumbi tem sua crítica à sociedade. Os zumbis apenas estão desligados da sociedade, precisando se sentir conectados para abandonar a vida de comedores de cérebros humanos. É uma boa idéia, e com muito esforço entendo que faz sentido com R devido à sua ligação com Julie, mas a ligação entre os dois não convence como força catalisadora e capaz de mudar tudo ao mesmo tempo.

Mas apesar desse roteiro que ofendeu a minha inteligência do começo ao fim, Meu Namorado É Um Zumbi tem pelo menos um ponto forte: a trilha sonora. Entre bandas atuais, como Bon Iver, The National e M83, e bandas clássicas como Bruce Springsteen e Bob Dylan, a gente consegue dar umas risadas do absurdo que estamos vendo, mas não que o filme seja uma sátira. É ruim mesmo.

NOTA MARCELLE MACHADO: 1,5 – pela trilha sonora e por pena do John Malkovich que tem que fazer qualquer coisa pra pagar as contas.

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: Em choque depois de ver esse filme. tumblr_mh0b1fFc5P1r3id23o1_500

4 respostas em “Meu Namorado É Um Zumbi

  1. Meu Namorado é um Zumbi começa de modo bastante promissor ao apresentar seu universo e os personagens que lá vivem. É curioso notar como a características escolhidas lembram as da Quadrilogia dos Mortos do Romero: quando não estão atacando pessoas, ficam andando a esmo, muitas vezes perto do local onde morreram, e tendo espasmos de sua vida passada, como executar funções repetidas e balbuciar palavras aleatórias (algo muito parecido como o Bub faz em Dia dos Mortos). Ao passo que os humanos se encastelaram atrás de muros gigantes para tentar viver a mesma vida de antes (assim como feito em Terra dos Mortos). Com o diferencial que, em seu primeiro ato, o filme aposta em um tipo de humor bem sacado, que não ri do gênero de zumbis, mas ri com ele – o que acho um coisa respeitosa, não fica aquela coisa tosca de paródia, e mais como uma homenagem.

    O problema é que, a medida que o filme se desenvolve, o roteiro esburacado começa a minar o projeto. Os zumbis começam a correr quando é conveniente pra história (sendo que há um ótimo comentário logo no começo sobre os empecilhos de ser um zumbi devagar). Toda a situação que Julie fica como “prisioneira” no aeroporto não convence, e a escolha dos Esqueléticos como os verdadeiros vilões da trama mostram que: a) os produtores não tiveram coragem o suficiente para bancar um filme apenas com humanos e/vs. zumbis, que seria algo bem mais promissor e b) não aprenderam nada com o péssimo visual dos vampiros de Eu Sou a Lenda, já que os Esqueléticos são igualmente mal-feitos em computação gráfica, nunca parecendo reais ou assustadores.

    Pra piorar, John Malkovich parece atuar com uma preguiça surreal, e seu personagem que poderia se destacar no terceiro ato, é completamente sem graça. Fora isso, o clímax é manjado e besta demais, além de desnecessariamente “sério”. E o filme ainda tem uma trilha sonora indie que só serve para mascarar o fato da trilha de verdade ser completamente apagada.

    Enfim, tirando os primeiros bons minutos e algumas boas sacadas pontuais, Meu Namorado é um Zumbi é uma bela decepção, fraco mesmo.

  2. Pingback: Spartacus | Blog do Shitchat

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