Os Miseráveis

lesmis

(Les Miserables, Tom Hooper)

Muitos meses antes de estrear, a versão de Tom Hooper para Os Miseráveis já tinha tantos fãs e tantos haters nessa internet que fiquei na dúvida se na verdade não se tratava de Christopher Nolan. Uma vez que, tirando certo cachorro latindo uma música, eu gostei da primeira, a dúvida foi esclarecidíssima já na segunda cena, pois não havia nenhum sinal de Michael Caine e em seis minutos já tínhamos visto umas cinquenta babaquices com a câmera.

Eu também sei fazer, mané

Eu também sei fazer, mané

Tom Hooper tem uma porrada de defeitos, mas o maior é achar que é importante ou que tem um estilo. Sei lá se as, hm, referências ao EXPRESSIONISMO ALEMÃO

hahahahahaha sério

hahahahahahahahahahahahahaha sério

foram intencionais ou só um efeito colateral dos cacoetes dele como diretor ou se é ele despirocando de vez. Eu acho que não existe ninguém no mundo que tenha encontrado um indício de sentido naqueles planos tortos ou no fundinho desfocado.

ou os dois ao mesmo tempo

ou os dois ao mesmo tempo

Especificamente neste Os Miseráveis, Hooper tenta AO MESMO TEMPO estabelecer uma relação entre o filme e sua versão teatral e afastar as duas. Sua decisão de fazer os atores cantarem as músicas ao vivo, em vez de gravar em estúdio e fazer o lip-sync, foi algo que ele trouxe do teatro e ajudou a dar mais emoção a uma história que por si só já é um melodrama sem fim. Essa decisão, aliás, é a única boa de Tom Hooper no filme inteiro, uma vez que ela é um dos fatores que contribuíram para seu ponto alto: Anne Hathaway e seu “I Dreamed a Dream”.

:(

😦

Por outro lado, o diretor aplica seu ~~estilo~~ ao abusar de um dos principais elementos que o cinema tem e o teatro não: os closes. Tenho certeza que vi o fígado do Hugh Jackman enquanto ele gritava uma música aí. O pior de tudo é que, para provar que é relevante, ele sacrifica o próprio filme. Samantha Barks (awesome moça, quero te ver mais) cantando “On My Own” deveria brigar com a já citada “I Dreamed a Dream” pelo prêmio de cena prestável do filme, porém a insistência do otário em fechar a câmera na cara da mulher em vez de abrir aquela bosta e mostrá-la no escuro, na madrugada, abandonada, sozinha, solitária e molhada acabam com impacto que a cena deveria ter.

af

af

Mas vamos esquecer as macaquices do diretor por um minuto. O roteiro não demonstra o mínimo de interesse em revelar as motivações por trás das ações das personagens. Javert, por exemplo, segue a lei como se fosse sua religião, mas a razão jamais fica clara, o que acaba prejudicando seu desfecho: por que ele fez o que fez? Googla, pois a resposta não está neste filme.

Outro erro gravíssimo deste roteiro ridículo é a contextualização errada da história. OK, você vai dizer que antes da marca de um minuto de projeção temos na tela a frase “vinte e seis anos após o começo da Revolução Francesa”. Só faltou dizer que o filme começa quinze anos após o FINAL da RF (até porque a frase dá a entender que ela ainda está rolando). Além disso, o roteirista resolve confundir tudo ao colocar certo personagem gritando as palavras “Revolução Francesa”. Não é não.

nope

nope

Outra coisa que me irritou bastante: Helena Bonham Carter e o Borat. A partir do momento que Valjean leva a Cosette, eles não têm mais nenhuma utilidade e são usados apenas como alívio cômico. E fica aqui meu apelo para que: parem. Scorsese fez isso em A Invenção de Hugo Cabret e agora é Tom Hooper. Gente, o Borat não é engraçado. E o Tim Burton meio que tirou a graça das bizarrices da HBC.

Patati e Patatá

Patati e Patatá

Quanto às performances musicais, eu não posso falar muito, pois a única coisa que entendo de canto é o que aprendi com os professores da Academia do finado “Fama” da Angélica. Por isso, peço a ajuda de alguém muito mais preparada para dar opinião neste aspecto tão fundamental do filme: CLAUDIA COCOTTA!!!

THE VOICE EDIÇÃO LESMIS

THE VOICE EDIÇÃO LESMIS

Vamos ao primeiro candidato do dia: Hugh Michael Jackman, 44 anos, que vem de Sydney, na Austrália.

Claudinha, qual a sua opinião sobre o candidato?

Obrigado, Clau. O próximo aspirante a voz do país tem 30 anos e vem de Nova York, nos Estados Unidos. Chega mais, Anne Jacqueline Hathaway.

E aí, Claudia?

Beleza, aprovadíssima menina Anne. O terceiro candidato do dia é outra mulher. Com 22 anos, esta é Samantha Jane Barks, de um lugar chamado Ilha de Man, que aparentemente existe sim.

Que pensas da apresentação, Claudiña?

Legal. Agora, pra finalizar, o último candidato das audições é Russell Ira Crowe de 48 anos, nascido em Wellington, na Nova Zelândia. Hoje ClauClau tá facinha, então vai que é tua, Russ.

Dê seu veredikto, Claudia.

Vish, Russ, você foi tão mal que ela se recusa a mexer um músculo sequer. Mas não fique triste pois há uma vaga para você no programa “Ídolos” ao lado dos igualmente talentosos John Christopher “Johnny” Depp e Pierce Brendan Brosnan. Parabéns.

OBRIGATA!!!!

OBRIGATA!!!!

OK, acabou o The Voice, vamos voltar para Os Miseráveis. O negócio é que o filme foi um sucesso, não só entre o público, mas também de crítica. Sério, 70% de aprovação no Rotten Tomatoes pode parecer pouco, mas considerando a porcaria da qual estamos falando, fiquei me perguntando o que levaria tanta gente a sair satisfeito do cinema.

Então, vamo lá: a história escrita por Victor Hugo é ótima e nem cinquenta Tom Hoopers conseguiriam estragar a mensagem final de redenção breguíssima porém legal. Tecnicamente falando, o filme vai bem. Ainda que use o CGI tão exageradamente quanto eu uso a palavra “crocante”, a maior parte dos cenários funciona e, juntamente com o figurino, cumpre sua função de caracterização da época retratada. A maquiagem também é maneira. Sei lá, consigo pensar em mais nada não. Me ajudem aí.

NOTA FELIPE ROCHA: 4,0

Ralzinho Carvalho: 8,0
Tiago Lipka: 8,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: 6,66 – Claire finalmente provando sua teoria de que Tom Hooper é sim o capeta.

11 respostas em “Os Miseráveis

  1. Acho que em comparação aos filmes anteriores, o Hooper melhorou bastante. Problema é o “estilo” dele, que não só não colabora em nada com o filme, como acaba atrapalhando ao chamar atenção para si. Mesmo assim, curti. 😛

  2. Gente, Samantinha Barks maravilhousa, e Eponine melhor personagem porém subaproveitada.

    E gostei dos figurinos e da maquiagem mas os cenários me pareceram todos fake, principalmente os que mostravam as externas. Nunca acreditava que aquilo era mesmo uma cidade.

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