Caça aos Gângsteres

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(Gangster Squad – Dir. Ruben Fleischer)

Talvez, se eu tivesse notado quem era o diretor de “Caça aos Gângsteres” antes de encarar a sessão, eu não teria ficado tão confuso com o tom e a abordagem da história (baseada em uma história verdadeira, por sinal). De qualquer  forma, o novo filme do cara que fez o ótimo Zumbilândia é uma zona. Uma bagunça estilizada, mas uma bagunça de qualquer maneira. Não um desarrumado ousado ou da vanguarda, mas uma simples mistura mal calculada de gêneros, idéias, tons e personagens. O material é bom, a execução simplória.

Fleischer fez uma paródia deliciosa do mundo pós-apocalíptico em Zumbilândia. Aqui, ele tem a oportunidade de narrar a história do famoso gângster Mickey Cohen. Sem saber se quer ser sério, cômico, denso ou descomprometido, Fleischer atira para todos os lados e acerta pouquíssimas vezes.  Parte da culpa vai pra mediocridade do roteiro do estreante Will Beall, que cunha alguns dos diálogos mais risíveis do ano, uma narração em off tediosa e personagens mais rasos que caricaturas do Michael Bay (sério).

#chatiado

#chatiado

O que o filme perde em substância e consistência ela ganha em estilo e elenco. A violência acentuada é um agrado desde a primeira sequência até o clímax sanguinário. Fleischer não tem medo de mostrar sangue e nós gostamos muito de ver vísceras. Com suas cores vivas (sangue incluso), momentos de câmera lenta e montagens vibrantes, a técnica do filme não é das mais louváveis, mas cumpre a função de nos manter instigados. Por outro lado, as sequências de ação e perseguição são caóticas e muito mal concebidas. São momentos isolados de pura inspiração que acabam relevando – como o plano-sequência crocante que segue o esquadrão anti-gângsteres em ação antes de invadir um clube. A trilha sonora, vale notar, é outro desastre.

Salvando o filme do marasmo é seu elenco estrelar (e talentoso, vejam só). Josh Brolin é um cara que sempre se dá melhor em papéis coadjuvantes e aqui não tem muito o que fazer com um personagem tão panaca. O show fica pro conta dos coadjuvantes. Emma Stone com presença sempre desconcertante, Giovanni Ribisi carismático como de costume e Nick Nolte fazendo valer seus poucos minutos de tela. Ryan Gosling é a cereja em cima do bolo despedaçado (se bem que odeio cerejas, vamos mudar pra chantilly). Construindo novamente uma caracterização única, Gosling rouba todas as cenas nas quais surge e quase implora por mais tempo de tela (e um personagem melhor, convenhamos).

*chantilly*

*chantilly*

Por final temos Sean Penn, cuja presença resume muito bem o filme em si. Tem todo um cuidado de apresentação (dizem por aí que gastou três horas de maquiagem antes de ir pro set todos os dias) e material bom para usar mas, na inconsistência de simplesmente não saber qual a direção certa a se tomar, se perde na caricatura e grosseria de uma atuação cheia de potencial (às vezes divertida), mas tola. Como o próprio filme, alias. Não basta ter potencial e uma boa maquiagem se não há uma direção certa a se tomar e um bom texto para seguir nela. O resultado é o razoável “Caça aos Gângsteres”, que de forma alguma deve ser visto no cinema. Quem sabe no Supercine? Se depender das legendas asquerosas da cópia, que traduziam “pegar” como “matar” e “vai matá-lo” com “vou matá-lo” a dublagem nem será a pior das ideias – e condizente com a (falta de) qualidade da obra.

NOTA WALITA: 6,0

MÉDIA CLAIRE DANES DO SHITCHAT: imaginando a piroca do Ryan Gosling

"where art thou nudez frontal?"

“where art thou nudez frontal?”

4 respostas em “Caça aos Gângsteres

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