Valente

Brave

Merida: Our fate lives in us. You only have to be brave enough to see it.
(Brave – Dir Mark Andrews e Brenda Chapman)

A primeira animação Pixar-Disney. A primeira protagonista feminina da Pixar. Valente estreou sob muita pressão, e foi duramente criticado. A crítica mais comum é que o filme não passa de mais uma história de princesas da Disney, e, leitores, se vocês concordam com isso, devo informá-los que vocês não entendem nada de animações da Disney. Valente, na verdade, samba na cara da sociedade de Far, Far Away por mostrar a primeira princesa Disney que quer ser a dona do seu destino.

Dos cabelos ruivos e indomáveis a ser exímia com o arco e flecha, está claro que Merida não se submeterá ao que os outros esperam dela. E quando é chegada a época de casar, Merida, para desgosto da solteira tuiteira que fica de recalque porque aquele cara nunca liga, esnoba os três pretendentes. Mais que uma princesa em busca de casamento, Merida quer liberdade de ser ela mesma. Mas, para isso, deverá enfrentar a mãe, que já tem todo o destino da filha traçado.

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E eis que Valente prova porque não é a animação cor de rosa e rasa que todos pensam. Não há grande vilão ou dificuldade a ser superada, pois o grande obstáculo são as relações familiares, especificamente entre mãe e filha. O roteiro demonstra que os pais erram, sim, e frases como “I’d rather die than be like you” são ditas de filha para mãe, para choque das tias velhas do Leblon vendo o filme. Elinor não conhece a filha, e se recusa a escutá-la, pois o que importa é a pessoa que Merida deve ser, e não o que ela realmente quer ser. É preciso um feitiço para que Elinor veja como é injusta com a filha. Nenhuma animação da Disney retrataria a família de forma que os pais fossem tão vulneráveis e falhos como acontece em Valente.

Por sua vez, Merida é uma adolescente, tipicamente teimosa e egoísta, e se acha coberta de razão. É difícil enxergar que, no fundo, Elinor só quer o melhor para ela. É preciso um feitiço que põe em risco sua família para Merida perceber que só porque pensa diferente da mãe, não tem nada a aprender com ela. E justamente quando mãe e filha não conseguem se comunicar com palavras é que Elinor e Merida se entendem, numa jornada que pode parecer repetitiva, mas que é necessária para justificar e deixar convincente o acerto de contas entre ambas.

Mensagem subliminar é pros fracos

Mensagem subliminar é pros fracos

Além da protagonista que não quer casar, pais que erram e não escutam os filhos, Valente deixa a pré-adolescência de lado e abandona as mensagens subliminares. O filme não omite cenas sensuais, por mais sutis que sejam, como a mão boba nos primeiros minutos (eu podia ir mais longe e falar da cena que a Merida rasga o vestido, mas não vamos colocar pimenta no blog). Walt Disney está tremendo em seu caixão com a ousadia da Pixar, e de todos que comparam Valente às demais animações de princesas da Disney.

Já me passaram a mão na bunda...

Já me passaram a mão na bunda…

Tecnicamente impecável, uma protagonista feminina que é um ótimo exemplo para meninas que querem, sei lá, fazer engenharia de pesca ao invés de pedagogia, Valente não deve ser considerado um erro da Pixar, e muito menos um retrocesso. Pode aparentar ser um filme de princesas da Disney, mas na verdade, ao enxergar todas as camadas escondidas numa estrutura tipicamente conservadora, percebe-se que o filme brinca com o gênero, subvertendo-o.

NOTA MARCELLE MACHADO: 8,5

Alexandre Alves: 9,0
Leandro Ferreira: 10
Tiago Lipka: 8,5
Wallysson Soares: 7,0
Felipe Rocha: 6,5 (atrasado ridículo que vê o filme depois da publicação do texto e não tem sua nota considerada por Claire Danes)

Média Claire Danes do Shitchat: 8,6 claire danes sorrisinho

7 respostas em “Valente

  1. Animação superestimada e uma decepção lamentavel. Adorei a personagem em si e o que ela representa: A busca da independência. O problema é quando se transformou em copia podre de Irmão Urso, o filme se desanda mal pra caramba.

    Merida merecia um filme bem melhor …

  2. RT @BlogdoShitchat: amores, de acordo com lei sancionada por dilma russeffy na presente data está proibido o uso da expressão ‘sambar na cara da sociedade”’

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