A Febre do Rato

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(A Febre do Rato – Claudio Assis)

“Ei, aqui que é o inferno?”

“Não, doido, aqui é o Recife. O inferno é pra lá.”

Quem assistiu ao filme Baixio das bestas, já conhece o perfil do diretor de A Febre do Rato, e em seu terceiro filme ele vai mais além. Claudio Assis traz neste filme uma realidade que transita pela perda dos pudores e do moralismo introjetado pela sociedade. Pensa na liberdade e libertinagem como forma de abstração de toda forma de opressão e dominação que sofre o grupo que vive às margens da sociedade, retratado nos personagens de seu filme. Estas características são exibidas no desenvolver da história, enfatizada por alguns personagens centrais.

As filmagens iniciais do filme, captando as favelas suspensas nos mangues e vizinhas aos condomínios da Recife, já dá uma ideia do que vem a se desenvolver em sua trama. É no espaço periférico que o filme se constrói. Apresenta o personagem Zizo (interpretado por Irandhyr Santos – O som ao redor): um poeta defensor dos ideais anarquistas e, por meio de suas poesias, transcreve tratados políticos para o seu jornal intitulado A febre do rato, o qual ele distribui para os moradores da comunidade. Sua postura política e verborrágica passa pelas reivindicações de melhorias de vida, bem como o uso da Mariah Jhoanna e do amor livre (vulgo comer a véia dentro da caixa d’agua ou a Eneida). Essa é o modo de vida dele e dos demais personagens, destacando os quatro amigos que vive numa verdadeira “comunhão de bens”.

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Assim, sem poupar palavrões e cenas ~bukowskianas~ Claudio Assis traz um manifesto da sociedade doente e escondida. As poesias do Zizo são justificáveis quando ele diz que a sociedade precisa enxergar o que se encontra entre os muros de seus condomínios. É justificável a ação sexual e do torpor por meio da maconha e da cachaça, quando se enxerga uma sociedade moralista, preconceituosa e hipócrita. Os bares, o cemitério, a imagem do rato pixada pelo Zizo, os porres e as orgias manifestam as relações coletivas de um grupo, e configuram o que Chico Science diz: “é desorganizando que posso me organizar”.

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Subversivo ao extremo e com doses ácidas, A febre do rato exige um olhar totalmente nu e libertino para o que está a ser exibido, e um dos atos políticos é a prova final, onde o despir-se é o ato simbólico a uma liberdade desenfreada e rompida com toda a estrutura de uma classe dominante e cheia de “recalques”. Resume-se num cenário onde as pessoas são atingidas pela eufórica exigência pelo direito de errar numa Recife que se encontra moribunda pela febre contraída da desigualdade e opressão entre classes.

NOTA ALEXANDRE ALVES: 7,5

Felipe Rocha: 6,0
Tiago Lipka: 8,0
Leandro Ferreira: 8,0

Média Claire Danes do Shitchat: 7,5

12 respostas em “A Febre do Rato

  1. Sempre vou me lembrar desse filme, não só por ser muito bom, mas por ser o primeiro filme que eu vi alguém ser tirado da plateia por estar se masturbando.

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